Rubens Pontes: Libertas quae sera tamen

22 de maio de 2014
Leio na coluna "A Voz do dono" texto de Oswaldo Oleare, neste Portal DOPC, que ele mantém com sangue e suor (sem lágrimas, que macho não chora) e é como se Sebastião Salgado tivesse clicado fotos do Brasil contemporâneo e o multi-mídia houvesse nelas aposto legendas.

"Treinando para ladrão" é o J'Acuse caboclo, um libelo que põe a descoberto as mazelas que transformam verbos como roubar em substantivos comuns.. Mas não é apenas aí que o Brasil derrapa sem controle rumo a um novo Aqueronte, sem barco e sem timoneiro.

Os Poderes da República, símbolos da democracia como deve ser entendida, refletem a endemia que corrói o País e põe a nu nossa melancólica realidade.

O Legislativo, nas suas esferas federal, estaduais e municipais, gasta para seu funcionamento 12,5 bilhões de reais. Só Congresso Nacional, com seus 81 senadores e 513 deputados federais, custa ao erário 6,1 bilhões de reais. Para manter senadores, deputados federais, os 1.059 deputados estaduais e 713 vereadores (só nas capitais) cada um de nós contribuintes brasileiros entregamos ao governo 115 reais e 27 centavos por ano, registrou Jorge Chaves em seu livro "Minha vida em obras".

A carga tributária do nosso PIB atinge incríveis 38 por cento.

Aqui mesmo, na UFES, temos tido motivo de orgulho com algumas conquistas no campo da ciência por estudantes capixabas. Mas esse orgulho não se mantém quando olhamos o panorama da educação no País. Nossa melhor universidade, sediada em São Paulo, foi classificada em 178º lugar no ranking das melhores do mundo.

E o governo, que foi liderado durante 8 anos por um cidadão que exorcizava educação, evidencia ignorar a área que apresenta o menor investimento por estudante a partir do ensino fundamental entre 36 países analisados, cerca de 2.488 reais, contra 5;470 do Chile e 25.705 de Luxemburgo, para citar apenas dois exemplos.

Na área da saúde, os investimentos são apenas maiores do que na Indonésia e África do Sul. Ocupamos melancólico 78º lugar em mortalidade infantil entre os países pesquisados.Para cada real arrecadado, o governo investe apenas 11 centavos em educação e saúde, uma das pouquíssimas nações do mundo abaixo de 20 centavos por real.

No setor de segurança nada é preciso assinalar, senão que nossa taxa de homicídios é de 21,9 por 100 mil habitantes. No Chile é de 1,6, na Alemanha de 0,8 e na Espanha de 0.7. O governo brasileiro aplica menosn de 1 por cento do PIB em segurança pública.

O brasileiro comum, o que não participa do festim romano pago por nós, não tem para onde correr.
Desculpe, tem sim: em outubro, pode correr para as seções eleitorais e contribuir com seu voto para plantar a bandeira de um novo Brasil.

Como dizem os mineiros, (*) Libertas quae sera tamen (Rubens Pontes).

(*) Liberdade ainda que tardia.

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