Alencar Garcia de Freitas

25 de julho de 2014
- Foi-se Suassuna, deixando o Auto da Compadecida......



Intelectuais e autores como o paraibano Ariano Suassuna, que acaba de nos deixar, só nascem de séculos em séculos.

Das mais de duas dezenas de obras que a cultura brasileira e a internacional receberam dele, uma já seria mais do que suficiente para consagrá-lo: Auto da Compadecida, uma unanimidade entre os brasileiros.

Suassuna, pode-se dizer, um dos poucos caldos de socialismo deste país, era mais velho do que eu apenas sete anos. Talvez por isso eu tenha aprendido a gostar e aplaudir suas obras, sendo que a minha maior preferência foi sempre Auto da Compadecida, apesar de, inicialmente, não entendê-la tanto como passei entender mais tarde, e só passei a entendê-la melhor quando identifiquei o alto conteúdo de sua mensagem social.

A última entrevista que vi de Suassuna foi há poucos meses no Canal Futura, com respostas mais do que convincentes para todas as perguntas formuladas pela entrevistadora.

Tudo de modo tão simples e coloquial como era o seu modo de viver. Não sei o que acontece com os nordestinos – e com os paraibanos ainda mais – (de alguns anos para cá ele virou pernambucano recifense), que falam uma linguagem que não depende de interprete ou tradutor, tal o modo como se comunicam com o povo?

Todas as vinte e poucas obras desse paraibano falam à alma brasileira aquilo que ela mais gosta e precisa de ouvir, e tudo com absoluta naturalidade e clareza.

Os nordestinos têm esse privilégio. Lembro-me de um colega de rádio que era paraibano e com aquele sotaque inconfundível e argumentação incontestável, sempre saía vencedor nas defesas que fazia dos seus direitos.

Cada vez que o mundo dos intelectuais sofre uma baixa – e todas elas que envolvam figuras como Ariano Suassuna -, pode-se dizer, sem vacilar, que foi uma perda irreparável.

Ainda bem que Suassuna foi embora mas deixou para trás um monte de suas obras, destacando-se, a meu ver, Auto da Compadecida; quem não teve a oportunidade de lê-la ou assisti-la não sabe o que está perdendo.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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