Alencar Garcia de Freitas

3 de setembro de 2014
“Santo quando vê muita esmola desconfia”......

Quem lê os meus textos deve ter notado que sou bastante incrédulo quanto a promessas de políticos em vésperas de eleições, porque quando eles se elegem e não as cumprem não tem como tomar o mandato eletivo de volta...... Se fosse possível entrar na Justiça alegando propaganda enganosa e exigir o cancelamento do processo eleitoral e a inelegibilidade do político por uns 10 anos, pelo menos, tempo em que estaria obrigado a freqüentar um curso de ressocialização, talvez assim eu acreditasse, condicionalmente, em promessas de candidatos, ainda mais quando essas vêm poucos dias antes das eleições......Os antigos conhecem bem o ditado “Santo quando vê muita esmola desconfia” que dá título a este texto...... Na verdade as promessas eleitoreiras têm como finalidade maior enganar o eleitor e tirar-lhe o voto, embora o político tenha consciência de que não poderá cumprir o que está prometendo com a maior cara de pau.

Na verdade, de cada dez promessas feitas pelo candidato, duas ou três, quando muito, são cumpridas.

Lembro-me de um veterano político capixaba, já falecido, tido como um homem muito sério.

Candidato a senador, ia para o palanque como uma raspadeira na mão. Raspadeira era uma ferramenta usada pelos proprietários de cavalos para raspar os carrapatos.

Brandindo a raspadeira no ar, prometia, se eleito, raspar todos os carrapatos, corruptos e corruptores do governo.

Como ele era um político sério, muita gente acreditava no seu discurso, esquecendo-se, no entanto, que o senador, por maiores que sejam o seu desejo e a sua autoridade, não tem como resolver esse problema por meio de discursos inflamados no Senado.

Essa casa do Congresso tem menor número de representantes e apesar disso tem um número considerável de senadores envolvidos em denúncias de corrupção e nem por isso perdem seus mandatos.

Apesar de tantas promessas políticas que são verdadeiras falácias e mesmo não acreditando em tais promessas e mesmo também não estando obrigado a votar mais pela minha idade, continuo votando em cada eleição e aconselhando que outros eleitores façam o mesmo, tendo, porém, o cuidado de votar nos candidatos que não sejam tão ruins.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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