Transporte público ruim

31 de janeiro de 2015
Alencar Garcia de Freitas: transporte público intermunicipal está cada vez pior......

Depois de ultrapassar a marca dos oitenta anos de idade, passei a ter o “privilégio” de usar e muito o
transporte público municipal, viajando do bairro Jardim Camburi, onde moro, para o Centro de Vitória, onde trabalho......

Minha experiência tem sido, portanto, municipal; nunca viajo pelo Transcol em direção
aos municípios cobertos por esse sistema.......
Fiz, dia desses, uma aventura não dentro de um desses ônibus e sim dentro de um ônibus dos que fazem a linha Vitória/Santa Teresa e vice-versa......

Foi uma verdadeira odisséia. A ida para a cidade serrana foi até razoável em termos de conforto,
em duas horas e pouco de viagem, em um carro mais ou menos novo, bem-cuidado, com cheiro de limpo.

A volta é que foi um desastre!

Além da ausência desses itens de conforto, o carro malcheiroso, superlotado, com muitos passageiros
em pé, carregados de malas e sacolas, sem espaços preferenciais para gestantes, mães com crianças de colo, idosos e deficientes físicos.

Fui “privilegiado” mais uma vez, tendo ao meu lado uma mãe com uma criança de colo e um menininho de uns cinco anos em pé no corredor.

A criança no colo da mãe gemia o tempo todo, dando a impressão de que estava prestes a vomitar
– e advinha quem seria o “premiado”? – e além do mais a nenê estava com o rostinho todo marcado de feridinhas.

Essa minha odisséia rumo à linda Santa Teresa me foi muito útil para poder sentir na pele, mais uma vez, o que as pessoas simples, de pouco
poder aquisitivo, sofrem viajando nessas geringonças batizadas como veículos de transporte público, alguns dos responsáveis pela tal da mobilidade urbana do povo brasileiro, que, se existe, ninguém sabe, ninguém viu.

A responsabilidade por esse desserviço é dos empresários que só pensam em ganhar dinheiro fácil
sem uma contrapartida de valor real e do poder público que o autoriza sem levar em conta que os
usuários merecem e têm todo direito de exigir um serviço de muito melhor qualidade.


Os agentes públicos que consentem na realização de serviços tão ruins assim deveriam experimentar,
pelo menos por umas horinhas, viajar nessas geringonças, pois só assim ficariam sabendo o sofrimento dos pobres usuários; aliás, esses desserviços são um contra-senso no esforço de melhorar o turismo em regiões com esse tipo de vocação.


Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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